quarta-feira, 11 de março de 2009

Potaquepareu!

Cacei mesmo um atestado médico. Sou humana (sem-vergonha, mas humana) e só vivo uma vez. Isso aqui não é rascunho não, mermão! Quem me disser que tal pensamento é digno da crise dos 30, vai tomar no cu, vai! Tenho pavor disso. Dessa mania de enquadrar tudo e todos em alguma fórmula predeterminada (é sério, preciso estudar as novas regras do hífen). Fazer isso, porque é assim que está previsto. Ou, está fazendo isso porque está passando por outro isso. Luto pela minha individualidade, mesmo que no fim das contas não seja tão individual assim.

Voltando. Não tô a fim, não faço. Se obrigada sou, dou um jeito de passar uma manteiguinha para deslizar melhor. Peguei três dias de licença. Ficar em casa não significa ficar quieta, porém gosto mais da agitação doméstica. Dar bronca em filho, escutar a empregada reclamando da droga do gato que resolveu mijar em cima do puff, primogênito pedindo grana, caçula gritando, contas... Ah, maravilhas do mundo adulto! Se for crise de fato (talvez exista mesmo), que mal há em passar por crise? Elas são necessárias para se manter um tiquim de sanidade dentro de mim. Melhor, tiltar é o melhor remédio para enfrentar um dia-a-dia de cão, fazendo um monte de coisas as quais não gosta, porém necessárias são. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

72 horas. Posso dormir até onde conseguir. Levo os filhos para a escola... volto tão logo... pulo para a minha caminha... durmo... morgo... Ah, prazer, corroa a minha carne assim, lentamente!

Último dia, hoje. E neste dia, nem preciso acordar cedo para levar a molecada à aula. Paralisação dos professores. Isso! Sempre apoiei a classe trabalhadora. É preciso mesmo reinvidicar pelos seus direitos! À lutcha! E eu, à cama. Sem intervalo de 30 minutos por conta da saída matutina. Fecharei o tempinho afastada com chave de ouro.

Pá! Pá! Pá!.... Pá! Pá! Pá!... Pá! Pá! Pá!... Que raio seria isso? Puta merda! Vizinho reformando apartamento. E o barulho parece estar dentro da minha cabeça. Pá! Pá! Pá!... Pá! Pá! Pá! Cubro, em vão, minha cabeça com o travesseiro. Pá! Pá! Pá!... Pá! Pá! Pá! Levanto-me, puta da vida, amaldiçoando tudo e todos. Ah, como queria eu ter um tiquim assim de poder, ó, e fazer com que seja lá o que for que esteja fazendo Pá! Pá! Pá!... Pá! Pá! Pá! acerte um cano hidráulico. HAHAHAHAHAHAHA... como seria bom! Ieda, a senhora que acá me ajuda com os afazeres domésticos, diz que o pobre coitado que está fazendo Pá! Pá! Pá!... Pá! Pá! Pá! não tem culpa nenhuma. É o ganha-pão dele (estude hífen, Maura, estude hífen). E se um cano estourasse - Ieda tem medo dos meus poderes paranormais - significaria mais dias com o Pá! Pá! Pá!... Pá! Pá! Pá! a fim de consertar o estrago encomendado com farofa e cachaça (tim-tim, meu santo!). Ponto para a Ieda. Tem toda a razão. Então, planejo acordar às 6h00 de sábado, e ficar batendo na parede... Bom, minha vingança ficará, com uma boa dose de certeza, dentro do campo da imaginação. Para, finalmente, dormir até onde eu deseje, não poderei acordar tão cedo no sétimo dia legalmente dado àqueles que se regem pela 8.112/90 para curtir coceira no dedão.
Droga! Algum dissabor esse feladaputa deveria sentir. Desde sempre, fico indignada com o resto dos terrestres por não agir de modo racional e mais humano. Se precisasse eu realizar uma reforma, começaria lá pelas 10 da manhã. Horário razoável. Não pensaria tão somente no meu rabo como muitos fazem em outras tantas situações.
E se eu acordasse, batesse durante uns 10 a 15 minutos somente? Porra, minha alma necessita de vingança!
Cocô de gato na maçaneta?

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