
"Ahhhh, homem pensa com a cabeça do pinto!", ataca-se. Junto-me ao modo de pensar masculino, porém com alguma modificação: eu penso com a vagina. Já fui uma pessoa revoltada por tê-la, pois com ela viriam todas aquelas idéias já prontas, bastando aquecer, que grudam no próprio subconsciente mulheril e fazem com que elas passem a agir de acordo, transmitindo às filhas, netas, sobrinhas. "Tão ruim ser mulher!""As coisas pras mulheres são mais difíceis"... Tratam as portadoras de buceta como bonequinhas. Muitas seguem carreira e envelhecem bibelôs. Eu, odiando rosa como odeio, maldisse a raça. Maldizer sem fundamentos, não vale. Fui matutar mais a fundo. Sou uma pessoa forte, autosuficiente, dotada de certa inteligência, racional, uma mãe-não-bundona, feliz, interessante, "desafrescurada", "culturada", vamos assim dizer... E eu, que tanto me admiro, apesar das pisadas de merda de vez em quando, me devo a minha vagina. Minha querida buceta... que tanto praguejei... a minha reação negativa à ela me transformou, fazendo-me diferente das demais. Continuo admirando o jeito de ser masculino. Mas não troco meu órgão genital... sou mulher e que, com certeza ainda tenho pecados a serem pagos numa próxima encarnação, numa próxima vida, eu venha acompanhada dela.
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