
Acabo de receber um e-mail confirmando minha participação na tal conferência. Estou dançando conforme a música, porém confesso que meus pés estão doendo. Para punir minhas pisadas em falso de outrora, eu os flagelo cruelmente. Não sei andar sob saltos, e eu os ponho em cima de uns. Doa. Que doam.
Confesso que há uma pessoa romântica escondida cá dentro. Já dei uma linda caneca (por que caneca? Ah, caneca sempre tem utilidade) num primeiro encontro. Tá certo que, tempos depois, concluí ter sido mais sensato tacar a peça em porcelana na cabeça de fulano. Borra-botas aborrecem-me deveras. Já dei bombons Khopenhagen (é assim que se escreve?) porque era dia de São Valentim. São Valentim merda nenhuma! Era Valentine's day mesmo. Sempre critiquei, e ainda critico, esta cousa de tupiniquim colonizado comemorarem o Halloween... festa junina em escola não tem mais arrastapé, mas dança country. Já boicotei festinha de filho por conta disso. Filho de Dona Iaiá aqui não dança country. Viva o curupira! O caipora! Bão, achei a idéia bonitinha e dei os bombons. Deveria ter injetado sicuta neles. Ou ter aproveitado uma promoçãozinha sem-vergonha, produtos a um passo de se tornarem vencidos, e comprado. Quem olha data de vencimento?
Não, não. É estilo. Não sou uma mulher rancorosa. Isso traz conseqüências maléficas ao organismo. São exteriorizados sob forma de mioma, segundo os orientais. Como eles vão dominar o mundo, não vou contra eles. Que se fodam as pessoas que pisaram na bola comigo. Não é um momento bom, se foder? Desestressa...
Papos ao ar no intervalo, acabou-se por descambar em relacionamentos. Ouvir uma opinião alheia entra num ouvido e sai pelo outro, mas é sempre interessante escutar. "- Maura, como faço para ser assim... como você?". Confesso ter me sentido meio esquisita frente à pergunta. Como eu? Apenas disse que, atravessando o mar revolto do namoro, procuro não me estressar... parto do princípio lógico que, ninguém muda ninguém. Que a outra pessoa é assim e assado. Aceita-se ou não o pacote. Que acho interessante cada um ter a sua individualidade mantida... sua liberdade... um horror eu querer saber a senha de messenger e afins do cara e vice-versa... um horror ter um show imperdível outside e não poder ir por conta do outro, que não vai e ainda te impede de ir... Inspire... ahhhhhhhh... é bom ter liberdade. Se um dia, esbarrar no meu Sartre, casamo-nos. Mas cada um morando num apartamento diferente. Talvez num mesmo prédio. E, algumas vezes, posso ser romântica e tocar a campainha, carregando uma cesta cheia de besteirinhas gostosas, para o café-da-manhã...
Como faço para ser assim?
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