quarta-feira, 12 de março de 2008

Macaco sabido, roubou...




Dica para quem interessar possa sobre presente de aniversário (acho que Dia das Mães não caberia aqui): uma coleção de revistinhas do Carlos Zéfiro. Se aquecida está minha massa cinzenta, havia estorinhas dele impressas na Playboy. Com tal revista em mãos, eu passava pelas mulé pelada (dava uma olhada sim, afinal, o nu chama atenção), lia algum continho batido (todos são a mesma coisa. Acreditam que falar palavrinhas como bucetinha, pau, cu e por aí vai, já fazem o conto em si. Tá, tá... tais palavras podem até ser usadas no ato; porém no ato, há outros elementos envolvidos que completam. Nas estorinhas de sacanagem contadas pelos demais, já que nenhum outro sentido é tocado diretamente, tem que ser... Pulemos pra fora do parênteses)

Pronto. Bom, leitura legal sobre os prazeres da carne está no Kama Sutra - muitos só vêem as suas figuras - Anaïs Nin e por aí vai. É arte! Se é arte, o corpo responde ao estímulo, deixando-se mesclar à obra.

Yes, yes, yes, yeeeessssss!

Adonde estava eu? Oh, sim... na Playboy. Enfim, adorava ler os quadrinhos de Zéfiro. Folheando a Piauí, vi um anunciozinho sobre a sua coleção. Completa. Quarenta e cinco pilas. Pô! Com quarenta e cinco pilas dava pra comprar um tênis pro Ian... camiseta pro Gui... ou bermurda... ou cuequinhas... Oh, Jesus Christ, uma mãe não tem direito a uma sacanagenzinha?!?

O povo tem mania de enxergar a gente, mães, como santas... Voltamos a sermos virgens, até! Santa o caralho, meu nome é Zé Pequeno! Poooxa, quero ser o que minha carga genética definiu: humana. Com qualidade e defeitos cultivados a anos. Quero que meus moleques me enxerguem assim: uma mulher que os ama demais. Não hei de escrever no-novamente sobre meu interesse pelos defeitos. Já tirei a casquinha aqui sobre. Acho. Defeitos... nos singularizam. Humano. Demasiadamente humano. Interessante ser humano, apesar de muitas vezes, ele me dá no saco. Porém, mesmo me irritando, é fascinante.

Achei. Ainda está lá. Uma das poucas participações minhas em comunidades orkuteanas, rabisquei um texto e joguei-o à cova dos leões. Assunto que faz ponte com o que comecei a escrever aí em cima. Situando-o no tempo, eu acabara de retornar da licença-maternidade. Meu caçulinha era novo no pedaço. Ei-lo:

"Coragem, Maura!
Há alguns tópicos atrás, vi que uma jovem corajosa postou um texto de sua autoria. Então, vô entrar na roda também. Ah, sim... Não tão certa quanto à grafia do seu nome, mas Chrys, admiro por você ter dado o primeiro passo e eu estou acá copiando você. Oh, yes, e gostei do seu texto também! Ai, jisuis... lá vou eu!

Maternidade não rima com santidade


Preciso tomar cuidado com a minha boca. Ela, de vez em quando, revolta-se e, na sua revolução, trai a confiança do manda-chuva, o senhor cérebro. Não são todos os ouvidos, capazes de captar o que realmente quis eu dizer. Bactérias conseguiram invadir o corpinho do meu caçula. Estamos atravessando a primeira ziquizira dele. E num bebê de cinco meses, a coisa é bem estressante. Mas, güento firme. Afinal, foi pra isso que assinei o contrato. Well, não sei quanto as outras mães, mas eu não sou de ferro. Sou feita de carne, osso e algumas gordurinhas estrategicamente distribuídas pelo corpo. Essa semana foi pauleira, até sabermos o porquê da rebordosa e entramos para o maravilho mundo da alopatia. Eu amo antibióticos. Sigamos.Nesta semana, sou um monte de caquinhos colados porcamente. Como aquele bibelô que ficava em cima da mesa e num movimento qualquer, você o jogou ao chão. Com medo da reação materna, pegamos o primeiro superbonder, durepox, pelo-amor-de-deus algo que cole, e nos enfiamos na arte da restauração. Lógico que dá para sacar que o trem quebrou, porém nosso inconsciente-consciente fala que tá tudo certo! Nos livramos daquela bronca... Vortemos ao assunto! Estava eu a conversar sobre meu esgotamento físico e psíquico pela manhã e digo que, ao escutar meu pobre filho chorando pela milionésima vez à noite, tive vontade de jogá-lo contra a parede, virar pro lado e voltar a dormir. Você assustou também ao ler isso? Quem escutou ao vivo e na hora, sim! E isso me fez matutar...Quando viramos mãe; vem o bebê, vai a nossa identidade. "O que é você? Ah, sou mãe!" "Como você está? Ah, meus filhos estão ótimos!". Revestem-nos com o manto da santidade. Mãe é coisa sagrada. Sou santa o escambau! Amo demais meus filhos. É um amor que dói cá dentro. E com esse amor, vi que tal sentimento é o pior do mundo. Faz-me sofrer quando a minha paranóia catastrófica me assola. Vi que amor traz sofrimento. Quisera eu ser sozinha, não me preocupando com ninguém. Nem comigo mesma. Com filhos, passei a cuidar de mim. Que
Que será dos dois, sem moá? E eu que tava precisando tanto me perder nestes últimos dias! Porém, a maternidade não me curou da personalidade múltipla. Eu-mãe não é a mesma que eu-filha, que não é a mesma que eu-amiga, que não é a mesma que eu-namorada, eu-empregada, eu-safada... E todas querem a sua vez!Além do fato de ser mãe cansa pra burro. Às vezes, não é uma tarefa fácil, que se cumpra sempre com um sorrisinho nos lábios. A gente pensa besteira sim. Desabafa. Uma válvula de escape. Má, pera lá! Tem o seu lado legal, esse papel. Tudo vale a pena quando neguinho acorda com um baita sorrisão nos lábios, faz carinho nocê, dá beijos ou manda uma cartinha com um "Mãe, eu te amo!". Sei lá. Enquanto escrevo, analiso: vá ver temos um lado masoquista. Divagarei mais a fundo sobre o tema. Queria eu apenas desabafar o cansaço. Só isso! E ao círculo de e-mails de sacanagem, aceitem-me de volta, caso alguém da confraria leia meu texto. Pôxa, não tô recebendo mais as fotinhas de amadores! Eu tô viva!!!!!
"


Ai, ai... acho interessante me ler depois de algum tempo. Parece ser outra pessoa... Além da minha dica sobre "todo mundo precisa duma maniazinha, loucurinha particular", há outra guardada para depois, "todo mundo precisa de rotina"... luto veementemente contra esta, porém reconheço que ela, de pouco em pouco e despercebidamente, se instala dentro da minha vida... sinto-me como ratinho de laboratório. Bom, mas bola da vez em termos de dica é: "todo mundo precisa conversar consigo mesmo". Esperando minha mãe resolver questões na boca do caixa e, depois, comprar revistas numa banca, um senhor passou por mim e pela minha irmã... estava conversando, sozinho. Sozinho, não. Corrijo-me: com ele mesmo. No fundo, todo mundo faz isso, porém poucos, como o senhor, tem coragem de fazê-lo em público e externamente. Eu o faço aqui. E tanto lá, no homem, quanto cá, comigo, há respostas. Tem respostas melhores que aquelas tiradas por você mesmo?

Respondo: não tem.

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