domingo, 23 de março de 2008

Liberdaaaaade, liberdaaaade... abre as asas sobre nós!

Não me faltaram idéias para aqui gravá-las. Melhor, jogá-las ao ventilador. Chutá-las, acertando em quem acertassem. Ausentou-se a disposição. Detesto quando o corpo não cumpre fielmente as ordens superiores. Então, afundo-me na cama, no sofá, em algum lugar onde meus ossinhos se acomodem sem apertos. Ao menos, o ócio imposto a mim não foi em vão: li. Faz-me falta ler... tá certo que neste modo estabanado meu de agir, acabo pegando quatro livros de uma tacada só e custa-me terminá-los. Sempre fui assim: sem foco. Tudo turvo, embaçado, sem clareza. E, tateando, tento chegar ao ponto final. Bom, ao ponto que creio ser o final, mas que não fundo não o é. Quando lá chego, sinto (pois não vejo) que há mais adiante. Vou indo. Atravessando a vida aos borbotões. Tanto faz, será? No fundo, tanto faz... atravessa-se do mesmo modo... e tudo o que acontece é apenas apêndice. O cru, sem rococós, acontecerá do mesmo jeito, como fora determinado quando o útero nos expulsou. A idéia sem rodeios e enfeites é desoladora e libertária ao mesmo tempo. A percepção da vida como ela é, no fundo, nos livra de muitas cobranças internas e externas, porém, como já cantarolava Mick Jagger, fica tudo painted in black...

Não gosto de chegar a este nível...

Vinde a mim as ilusões, religiões, convicções, paixões... Amor?

Criador e criatura... acredito, pois, que eu tenha amor... apesar de saber que, quando não mais aqui estiver, tudo continuará a seguir seu rumo. Acredito que amor deve ser assim: ele vem, se instala, cria raízes profundas, entretanto não impede que outros prossigam adiante. Quando dentro da ambulância, atordoada, não acreditando que pudesse estar ali, a dor que sentia e que me mantia acordada, o incômodo sentido ao abrir os olhos e nada enxergar, desesperei-me com a idéia de estar morrendo... meus filhos... como eles ficariam sem mim? Concluí que seria um choque sim... e de alguma forma, ficariam marcados, porém sobreviviriam... viveriam... Que talvez fosse eu quem mais sofresse com a idéia da minha morte e, com isso, a nossa separação que eles futuramente...

Certos livros não fazem bem a mim.

Pensar demais não é bom.

Vou dançar o créu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário