
Degas era fissurado em bailarinas. E antigamente, a sua época, elas não eram recobertas com um manto enaltedor que a beleza da sua arte exige... Vinham da classe pobre e na falta de money, algumas aproveitavam a exposição que os espetáculos lhe proporcionavam e se prostutuíam. A dura vida na dura das bailarinas de outrora.
As pessoas me surpreendem. No lado bom da coisa. No mal, já não é surpresa alguma. Fico a me perguntar se algum dia o Brasil será educado. Enfim, ela ligou num sábado e nem eu esperava a ligação dela. Tenho o péssimo costume de, quando o circo pega fogo e o meu picadeiro começa a se incendiar, corro pro camarim e lá me fecho. Afasto de tudo e de todos. Depois, quando os bombeiros já apagaram o incêncio, volto pedindo para que "mi-é-di" de novo. Aqui, deixo gravado meu agradecimento, do fundinho do cérebro, àqueles que me aceitaram de novo. Voltando, estudamos juntas uns dois semestres de Economia, quando eu passava pela Católica. Ela continuou, eu segui outros rumos. Já quase um ano que não a via mais... telefonou para marcar um dia para que me entregasse o convite. O convite de sua formatura. Pooooxa! Eu sumi e a moça se lembrou de mim. Isso me comoveu e me deu um tapa no rosto. E me colocou numa situação complicada. Conheço a vida da amiga... suponho que para pagar os convites, não tenha saído muito em conta. E, bão, pisei na bola, desapareci, e ela se lembrou da macaca véia aqui. Mas...
Como dizer não numa situação dessa, meu Deus? Deus? Deus, não. Segundo as más bocas, ele sempre vem com esta (bom, na verdade, foi seu representante quem propagou): amar os outros como a si mesmo... Algo girando em torno disso aí. Daí, eu engulo a seco a minha indisposição para bailes e afins - esta cousa toda periquitada - e me vou. Como dizer não numa situação dessa, meu Diabo? Ele é mal... Melhor pedir socorro a uma Glória Kalil... Danuza Leão... gente entendida de etiqueta. Se eu chegasse e dissesse: " - Pô, fiquei lisonjeada com o convite. Desejo a você toda a sorte na sua nova empreitada. Mas, pooooxa, eu não suporto bailes e afins! Perdão! Mas, dê o convite a uma outra pessoa que realmente vá! Olha... eu te adoro, sinceramente, mas... ". As pessoas não processam mui bien a sinceridade. Vão se sentir magoadas. E não há por que disto, pombas! Seria pior se eu fosse com um sorrisinho amarelo estampado nos lábios. Acho isso.
Well, mizifim, fui ao seu encontro hoje, na hora do almoço, já que o corre-corre não a permitiu que fosse lá em casa... nem os meus horários... peguei o "convite"... já não fazem convites como antigamente... veio dentro duma caixinha de madeira... bonita, até... " - Putz! Isso deve ter sido uma grana só!". Abri e... ufa! Só um convite para as solenidades mais... mais... mais baratas, vamos assim dizer. Missa e colação de grau, as quais também não iria. Um paralelo àqueles convites de casório nos quais, em alguns, vem um convitezinho anexado dizendo a hora e local do regabofe. Ou seja, não há convite para baile! Ahhhhhh!
Não era merecedora para tanto!
Porém, hey, sorte, viu?
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