sábado, 8 de março de 2008

Deep Throat

Vem cá, ter um dia especial para a mulé já não a torna desigual ao homem? E o porquê deste dia não é a luta pela igualdade entre os sexos, patati, patatá? Abro uma revista que faz menção ao oitavo dia do mês de março. A imagem salta da página: uma mulher vestida mostra que sua profissão é comumente atribuída ao homem. Ok! Que beleza! Ela fincou a bandeira em território de macho. Mas, porém, entretanto, contudo, todavia... está segurando uma mala rosa, que não a deixa desvencilhar de vez da sua condição feminina. Ser mulher é ser... ser... putz! Detesto rosa! Raspo meu sovaco, faço meu bigode ("- Quanto tá para tirar o bigode? - Buço, cê quer dizer? - Sim, sim... é isso aí! Ahhhh... fez-me lembrar d'outra piadela minha: quem não tem perna, perneta; mão, maneta; e buço? ho ho ho ho! E punho? hi hi hi hi! Voltando...), como digo sempre, não queimo meu sutiã em praça pública, pois um bonzão tá mais que vinte reais... Por que mulher para se mostrar mulher tem que bancar a retardada? Talvez achem que é sexy... ou tentem mostrar ao macho que ela é indefesa... precisa de braços fortes que a protejam da selva. Bichinhos de pelúcia pendurados no carro... o rosa total... figurinhas fofas de desenhos... E ficam clamando por igualdade! Questão difícil de avaliar... Bão, mas quer saber, nunca seremos iguais aos homens. Daí, perguntar-me-á, você: então, somos superiores? Não. Somos diferentes mesmo. E acredito que cada um tenha uma função... ou, o seu modo de agir não deve ser criticado pelo outro. Mulher tem a infeliz idéia de que pode mudar tudo em nome do amor. Do seu amor, né, mizifim? Ninguém muda ninguém, afirmo. E nem quero mudar ninguém. Que horror! De repente, chego e acho que tenho o direito de anular a personalidade do caboclo que há tempos vem sendo construída? Não me agüento dentro das calcinhas quando alguém tece uma crítica sobre moá... que eu deveria isso... ou aquilo... Minha independência e liberdade a ter que me podar... mudar... por conta de algo construído com base na mentira. Sim, mentira... pois forçando eu ser outra que não sou, o cara não está com a Maura de fato... Enfim, Dia Internacional da Mulher é a puta que pariu! Não me venham com rosas!

Aliás, não sou fã de ganhar flores não. Leia-se buquê. Flor morta. E não adianta me vir com vasinho com alguns exemplares vivos, pois não sei cuidar. O lance não é só sol, água, conversa... umas precisam de mais água, outras menos... Jardinagem é plano para a minha aposentadoria. Vou precisar ocupar minhas mãos com algo... elas são inquietas... acompanham a massa cinzenta fumegante aqui.

Geralmente eu releio o que escrevi... Sou muito contraditória: se estivesse eu, com esta cabeça, vivendo a tempos atrás, estava fudida! Pago minhas contas, assumo minhas besteiras (as mais íntimas até), dois filhos, solteira e nenhum problema quanto a isso. No fundo, orgulho muito de mim mesma. Minha familinha perfeita! Estou dando conta do recado. Porra, como sou forte! Não chego a ser um homem... mas sou uma mulher que toda mulher deveria ser: sem rosa!

Egocêntrica? Megalomaníaca? Narcisa? Oh, no, baby! Reconheço o meu valor sempre, sem precisar dum dia específico para que me reconheça...

Sou chata sim, concordo! Obrigada!

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