sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quem arcará?

No melhor estilo "pegue seu banquinho e saia de mansinho", retirei-me. Parecia ter em mim, algo semelhante àquela bomba de encher pneu de bicicleta e ia inflando... inflando... inflando... Antes dos pedaços fumegantes de massa cinzenta grudassem nos cabelos recém feitos luzes e chapinha de muitas, casquei fora.

Passei no moço da pipoca. Fome muita, trocados poucos, tentei engabelar o estômago ranzinza. Antigamente, quando eu comprava só o pacote de dois reais, o senhor oferecia uma manteiguinha derretida por cima. Agora, novamente com a onda de cortar comilança (preciso me enfiar numa academia para voltar a deglutir o mundo... talvez, daqui a algum tempo, essa conclusão se estenda ao outro sentido também), pago o de um. Sem beiços brilhando, moça. Ok! Enfie esse tubo no... Ah, obrigada! Menos calorias ingeridas durante a semana. Eu prefiro à margarina mesmo.

Histórias rondam o estacionamento. Antes fossem referentes a alguma alma penada, ou a alguma Loira do Banheiro perdida de do seu habitat natural. Os fantasmas são de carne e osso mesmo. Às vezes, não tão menos sanguinários quanto ao Freddy Krueger.

Saio, em marcha atlética, rumo ao meu mad max. Se eu não me forço a reparar onde estacionei o carro assim que chego a algum lugar, é uma luta encontrá-lo depois. Já precisei ficar para lá e para cá, entre dois estacionamentos, até encontrar o vermelhinho. Cansada e receosa de que alguém percebesse a barata tonta motorizada, parei, concentrei e refiz, mentalmente, todo o caminho feito desde a minha chegada ao lugar. Pimba! Uma luz se fez.

À luz da noite, não me permito tal esquecimento. A estrada é longa e o caminho é deserto.... e o Lobo Mau anda aqui por perto.

Maura. Rua. 22h30. Isso significa mariposear ou, God, casa! A primeira opção só é marcada quando o dinheiro dá o seu aval e estou pouco me lixando se amanhã, trabalharei. Há pouco, tempo, sob pressão, recordei das propagandas do Ministério da Saúde ensinando a fazer soro caseiro. Na copa, há sal, açúcar e água filtrada. Voilà! Aos goles e sob promessas-que-sei-muito-bem-não-cumprir-alguma, reanimo-me.

Essas mesmas rotas seguidas todo santo dia tiram-me, um pouco, as cores da vida. "No colors anymore I want them to turn black". Tento fazer a minha parte, procurando desobedecer num ato minúsculo diante todo o contexto sufocante. "Hoje, tô que tô e dou dedo pra tudo isso! Vou quebrar por aquele outro caminho e ver de qualé!". Não é de grão em grão que a galinha enche o papo? Se partir logo para modificar um grande todo, a tarefa é mais árdua e corre-se o risco de dar com os burro n'água. Além de enfrentar algo grande e desconhecido, a exposição é maior. Alguém poderia notar. E se, justamente esse alguém, não deseja transformações significativas, tirando-o da sua zona de conforto... Assim, sob a fantasia de moita, pequenos atos são postos em prática, desfazendo, peça por peça, o quebra-cabeça montado. O gigante está ali, sem nem notar. Surpresa!!!

Vou de churrasquinho hoje.

Se eu pedisse um, mais incrementado, haveria farofinha passada na carne, de graça?


Um adendo: a estória se passa, inicialmente, quando estou eu a cascar fora da faculdade.

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