Resolvi ficar milionária. Já que estou na roda mesmo, o negócio é girar. Não tenho vocação alguma para me enfiar no mato e plantar batatas, cantando leeeeeet the sun shiiiine... leeeeet the sun shiiiine, yeah! Talvez enxergando a cousa por outro ângulo, o capital desça mais redondo goela abaixo. É no tal "egoísmo benéfico" que vou dançando. Faço algo de bom para alguém, esperando algum retorno para mim (sem cobranças ou opressões, frise-se... feedback vindo de forma natural). Se eu ganhar na megasena amanhã, ajudo parcela da parentada e mais algumas pessoas fora desse círculo genético. Todos ficam bem. Parentes, esquecem da falta de juízo acá (daí, fico bem) e pessoas ficam contentes (acabando refletindo em moá também). E todos ficamos felizes, comprando as batatas num hipermercado.
O número sem-fim (item na lista de resoluções para 2010: estudar a maledita revisão ortográfica. Hífen sempre foi a pedrinha no meu all star) de opções é a causa da angústia de muitos. Conjunto de 60 números (se não me faia a memória... há tempos não jogo), dentro do qual 6 são os escolhidos. Céus! Quais? Esqueço de dormir com caneta ao lado para anotar números que, por vezes, me aparecem sob REM. Utilizo-me da contradição: semana passada, tive um prejuízo daqueles por conta do carro. Enrolada que sou, deixei de pagar o raio do licenciamento. Resultado: sujismóvel apreendido. Mil reaus para soltá-lo. Assim, numa manobra matemática, escolho tomando por base o renavam, placa e chassi. Ripa na chulipa! Tô sentindo que agora é a minha vez! Nada de Luís Vitão. Angústias ainda existirão diante a várias encruzilhadas, porém, estarei mais embasada para tomar outro caminho, desajuizadamente, além daqueles que me são apresentados.
Fase capitalista, Dona Moura? Apresente-me outro sistema de produção que realmente suplante o capitalismo e eu escolho qual seguir. Afinal de contas, tenho duas bocas, além da minha, para alimentar.
Vamos vivendo abraçados na esperança, que é o último mal saído da caixinha de Pandora. Projetar-se num futuro incerto, impulsionados por sonho concreto agora ("isso vai acontecer... aaara, se vai!), é o que faz muitos percorrerem círculos e mais círculos. "Foco, Maura, foco!". Já estou meio cansada de tal conselho. Mudo a direção da minha lente de tempos em tempos. O mundo é muito vasto para digerir somente um lado seu. Eis o meu combustível. Quero tudo e ao mesmo tempo não quero nada. Sim, porque para sentir a vontade de tudo, faz-se necessário envolver-se no nada. O contrário também existe: tendo tudo, por vezes, bate o desejo de ter nada e ser livre. Mas tudo, nada, livre são conceitos complicados. Não são absolutos. Sempre haverá algo que falte. Sempre haverá algo que se faça presente. Sempre haverá algo que o prenda. Como a esperança que fixa os pés num trajeto determinado (ou não).
Quer saber? Não me importa que a mula manque! O que eu quero é rosetar!
Um adendo: coisa interessante e que não havia me passado pela massa cinzenta antes. Para se sentir o gosto doce, a língua precisa ter sobre si, o amargo. Hummmm!
conheço esta frase do título...
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