terça-feira, 3 de março de 2009

Até hoje, 3/3/2009

Ainda boio sobre a pasmaceira. Um desânimo danado. Uma vontade de não estar aqui. Não, não... não é mais um papo qualquer-dia-eu-crio-coragem-e-me-auto-extermino! Não estou a fim de estar onde estou agora: trabalho. Viro a cabeça. Meus olhos vão de encontro à janela. Flutuo lá fora. Embora, este sol claro de rachar coquinho faça com que eu queira ficar quieta sob a proteção do ar-condicionado. Amém! Bom, mas queria eu logo encontrar a minha praia pra mó d'eu fincar meu guarda-sol. Metaforicamente falando. Que eu preciso fazer algo chato na minha vida, já captei a mensagem. Gostei não, mas engulo. Porém, não deve ser só isso. Aí, eu me revolto. Não quero só casa, trabalho, casa, trabalho... Tem os finais de semana? Não cabem aí casa, trabalho? Bão, sábado, domingo e feriados, casa. Podendo sofrer alguma alteração por vezes: passeio com filhos. Almoço com família. Tô quase voltando ao papo qualquer-dia-eu-crio-coragem-e-me-auto-extermino.
Ontem, também já instalada no meu cubículo laboral, pensei: bem poderia eu soltar um berro daqueles aqui e agora. Por que não faço? Por quê? Não há razão forte o suficiente para justificar a minha falta de liberdade. Existem consequencias. Entretanto, não é impossível de serem enfrentadas. Alguém sairá do gabinete, perguntando o que foi; eu olho para a cara de todos, rindo; concluem estar eu à beira de um ataque de nervos; recomendam que eu vá a um médico; posso pegar uma licença; dou um pontapé inicial aos meus estudos sobre fotografia; vou a um clube de streap tease (tenho vontade de ver qualé desse tipo de boi-te... aliás, a minha vontade mesmo seria ir a um cinema pornô. Sabe daqueles que há sexo explícito? Então. Talvez a Dom Quixote aqui não tenha armadura e lança boas o suficiente para isso)... Well, meu berro traria benefícios até. Sinto-me inerte sem causa palpável. Tenho capacidade e sou impotente.
Casa... trabalho... casa... trabalho... parentes... domingão do faustão... muerte!
Vou gritar! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Yes! Yes! Oh, yeeessssssssssss!
Procurando o que mesmo? Estava eu a fuçar na última gaveta do guarda-roupa, para onde eu geralmente jogo cartinhas non gratas (leia-se cobranças... contas... e afins). Não. Não foi na gaveta. Foi num caderno usado no primeiro semestre de 2008. Estava procurando alguma folha em branco para escrever um bilhete-potoca para o meu filho. Não para ele, mas fazendo um favor a ele. Fui justificar uma falta dele na aula de inglês. Como não minto sobre ziquizira alguma pois é batata, sempre alguém - geralmente quem eu tenha que cuidar: eu ou os meninos - acaba com febre, caganeira, enjôo... aproveitei o esquindô-esquindô passado e apliquei uma viagenzinha com o retorno no domingo passado. Assim sendo, não foi possível meu filho comparecer à aula quinta-pós-quarta-feira-de-cinzas. Bom, mas achei um rabisco meu. Por increça que parível nos tempos de hoje, manuscrito mesmo. Agora, não mais.
"Oh, Christ! Estou eu acá... sentada... aplanando o resto da bunda, melhor, de curva 'bundal' que me resta... Não sou uma mulher tipicamente brasileira, porém isso não vem ao caso: minha anatomia. Legítima defesa. Aula interessante, embora o fato de estar rabiscando estas palavras não demonstrem. Como este pessoal fala abobrinha. Não, abobrinha não. Abobrinhas, falo eu. Água? Insípida, inodora e incolor? Mas é essencial à vida... Só sei que nada sei! Sócrates. Plano para matar (?) algum desafeto: provoco briga. A pessoa parte para em cima de moá. Ele, legítima defesa. Mas eu o provoco de tal modo que a raiva nele é incontrolável. Eu já parei e a pessoa continua. Então, eu repilo (existe tal conjugação do verbo repelir na 1ª pessoa do singular no presente do indicativo?) tão agressivamente o quanto. Ou mais. Mim, legítima defesa. Estudar direito: arma em minhas mãos! Será? O poder corrompe a alma. Alma corrompida, alma não boa. Alma não boa, alma não feliz. Sócrates. Preciso trocar dois dedos de prosa com Sócrates.
Oh, Shiva! O povo não pára de perguntar... o tempo passa... estou à espera da chamata... ET go home!
Descobri: o problema de Direito são os alunos."
Acho interessante me ler. Ainda mais no passado. Descubro-me mais. Como aqueles diários que mãe deixa para o filho ler e saber mais quem foi ela. Eu escrevo para mim. Minha terapia. E, bom, ainda continuo meio sem saber quem eu sou.
Ah, Sócrates me convenceu!

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