quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Churrasco a 9,90

Agradeço àqueles que, voluntaria ou involuntariamente, me torraram meus bagos nestes últimos dias. Principalmente ontem. Vai aqui, o meu muito obrigado! Vinha eu me debatendo no poço de uma frescurada sem fim. Um aviso: quem se encontrar ofendido pela minha classificação "frescurada" ao momento passado por esta pessoa que vos digita, pois se encontra em posição análoga, encare tal definição apenas circunscrita a minha pessoa. Quem sou eu para julgar sentimentos e razões alheias? Eu sei de mim e nada posso dizer de você. Voltemos!
Muito grata pelo tapa na cara. Palavras tais como porralouquice, adolescência tardia, maluca, neurótica e por aí vai soaram à minha boca como: "Vai, Maura, vai!". Um reforço à eterna fala interior: "Vai tomar no cu, Maura, vai!". Fuuuuuuuu! Passou! Tô pronta pra mais uma crise, pois sei que não fechei o último ciclo. Haverá outros. Ainda bem!
Eu estava a analisar a minha prole. E notei que cada um tem um traço psicológico marcante. O mais velho, sisudo, tímido, caladão, mergulhado em regras. O caçula, elétrico, impetuoso, carente. Alguns já veriam futuros pacientes de psicólogos, psiquiatras e afins. E diriam - talvez com uma certa dose de razão, pois tratar-se-ia de moá - que a culpa é da mãe. Porém - eis o grande barato de matutar - não sei não... Isso não os define? Assim, minhas mergulhadas no meu poço particular... minhas neuras... meus pensamentos sejam eles bons ou não... não é o que me define individualmente? Por que tenho que digerir a vida seguindo um código? Há código? Jogo-o na privada! Não, na privada não porque há de entupi-la. Taco fogo! No código e em mim. Nele, de fato. Em mim, simbolicamente.
Mania infeliz dos outros tentar encaixar outros outros num perfil julgado adequado e conveniente. Não quero ser encaixada, porra! A não ser quando estiver sendo queimada viva, simbolicamente, pero-no-mucho.
Olha, eu tenho sim, dentro de mim, uma adolescente. Não é novidade alguma para quem aqui passa, abrigar aqui dentro, várias Mauras. E eu as solto de acordo com a necessidade. Do momento. Maura deprê-querendo-ser-suicida (tive que dar um jeito nela! Mais uma vez, thanx!". Maura mamãe-maluquete (sempre na ativa, custe o que custar). Maura cidadã-pagadora-de-contas (tento sempre me manter na ativa, senão, nome no SERASA). Maura hummm-será-que-ele-me-ama? (por vezes, mando-a tomar no cu. Muito chato mulé-mulézinha). E, eis o foco, Maura-adolescente-velha.
A vida adulta pesa sobre a cacunda, fazendo com que várias vezes eu sinta fortemente a vontade de desaparecer. Mas isso é preciso ser enfrentado a qualquer custo, mesmo com o sentimento latente dentro de si. É ir no tal "levanta, sacode a poeira e dê a volta por cima!". Tento fazer isso todo santo dia, com essa penca de responsabilidades que me sufocam. Escolha minha, não? Que eu arque sem dar um pio sequer. Ou dê tantos pios quanto me forem necessários para desabafar, desafogar, desanuviar!
Que eu me acabe em experiências não vividas na época taxada como própria à, pois preciso de uma válvula de escape, mesmo que insandecidamente usada, para me manter nos meus trilhos tortos! É necessário enlouquecer por vezes para se manter sóbria e sã (por isso, amo as contradições). Minha loucura tem um respaldo, um porquê de ser e ninguém tem nada a ver com isso, pois eu sou dona do meu nariz (toma para si, a fala, Maura-cidadã-pagadora-de-contas).
Porraloqueio por minha própria conta e por mim mesma, não para atingir outros fazendo-me com que eu esqueça da minha própria infelicidade e frustração e, principalmente, que estas últimas são culpa exclusivamente minha. Porraloqueio para ser o que sou. E, sinceramente, eu gosto das diversas Mauras.

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