terça-feira, 18 de novembro de 2008

Japón

REAJA, Maura, reaja. E assim, anos atrás, pus ponto final num casório que nunca deveria ter acontecido. Pulando à frente, a colocação de drenos em meu pulmões foi evitada. Levei uma gravidez na boa quando, ao final dela, o namorado arrumou outra namorada. Com os ossos ainda fraturados, pus-me ao alto e avante. Ri dos pés-na-bunda tomados. Acordei e fui trabalhar. Não agüento me ver prostada, enfraquecida, inerte. REAJA, Maura, reaja. E assim vou caminhando, cantando e seguindo a canção. Isso é tremendamente sufocante. Não me permito cair, chorar, lançar-me num beco sem saída. Por vezes, sinto que curtir uma fossazinha talvez seja bom à alma. Por mais que um outro eu queira, não sou heroína e sucumbir esfrega isso na cara. Tenho sentimentos aos turbilhões com os quais, por vezes, não sei lidar. Não consigo reagir tão prontamente... e fico com um gosto amargo do fracasso na boca. Eu broxo também, porra!
E tenho TPM! Sim... eu a tenho. Confesso aqui diante de... de... quantas pessoas devem me ler? Bom, diante de todas as pessoas que porventura passem por acá. A alteração hormonal me pegou em cheio. Senti um azedume latente. Uma irritabilidade sem motivo palpável. Premonições catastróficas. Achar-me uma péssima companhia. Reaja, Maura, reaja. Mas como? Por quê? Donde? Adonde? Os problemas visíveis não são merecedores de preocupações maiores. De onde veio toda essa encheção de saco? O borrãozinho de sangue indicou o caminho. Que faço eu agora? Reajo? Ou entrego-me àquilo que sempre acreditei ser frescurada mulheril? Recuso-me terminantemente a usar isso como desculpa. Muito sem imaginação... batido... "Rrrrrr... não brinque pois estou de tê-pê-eme!". Urgh!
Pode brincar. Se eu avançar, avance também. Se a reação não partir de mim, que parta de outra pessoa.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sem pé nem cabeça

Rascunhos.

Não quero descartá-los. Também não quero continuá-los.


Complicado dar nome ao texto. Batizá-lo com um título que dê liga e o conduza. Sou muito indecisa ao dar nomes. Nomes a tudo, diga-se. Aliás, sou muito indecisa em definir pessoas e coisas. Uma hora, eu os vejo assim. Noutra, assado. Guilherme tem cara jeito de Guilherme, porém, às vezes, tem um quê de Álvaro. Ou até mesmo de Astolfo. Esses dias aí é uma luta não lançar o filho janela afora.
Catei a sentença identificadora na capa de uma revista que trouxe para ler. Como estou com um pouco de sono, resolvi adiar a leitura para não babar sobre a minha mesa de trabalho. Sim, acredito eu que babe durante a dormida sim. Taí outra hora na qual desligo-me do socialmente bem visto e aceito. Babo. Falo. Giro os olhos à là O Exorcista. Talvez peide... Mas isso é certeza se tomo um copo de leite antes de dormir. Alguém que tenha dormido comigo possa confirmar isso... bom, espero que não. Não por assim ficar com vergonha tardia. Mas pela pessoa não ter se lançado de corpo e alma aos braços de Morfeu. Atestado maior de uma fase ruim atravessada por alguém é dizer ter dormido mal. Ou não ter dormido.
Quando algo simples consegue plantar uma sementinha da discórdia entre os sulcos da massa cinzenta, acredito eu estar próxima a um grande abismo sem fim. Encucar-me com as 10 dimensões... o que há depois do buraco negro... Cadê o hádron?... Bom, isso aí já é esperado devido à complexidade do assunto. Agora, enxergar relações ocultas em fatos tão banais, posso constatar que tudo conspira contra. No que poderia eu acreditar?
O branco.
Bão. O fio da meada foi mais ou menos perdido. Influenciada por um prograva de tevê, comecei a enxergar a má índole do branco. Minha meta de vida, desde então, é lutar contra a ausência de cor. Ausência de cor... Ausência... Branco... cor que retira toda a individualidade... cor das massas...
Fico devendo essa! Já estou anos-luz a frente.
Encontrei-a por acaso. Adoro descobertas no acaso! Com um monte de coisas pra fazer e sem vontade alguma em fazê-las, fui navegar aleatoriamente. Esbarro numa reportagem sobre o novo filme de Nicole Kidman.
"Em "The Danish Girl", Nicole Kidman vive um transexual em plena década de 1930. O fime chegará aos cinemas em 2009 e segundo informação do “Hollywood Repórter”, ela se casará com a personagem interpretada por Charlize Theron. No longa, Nicole será Einar, um artista que posa como modelo feminino para Charlize, que fará o papel de Greta. O quadro torna-se famoso e Greta incentiva Einar a assumir a personalidade feminina para a sociedade de Copenhague. "
Gosto da Nicole não. E tenho o hábito de, geralmente, boicotar os filmes daqueles atores com os quais não cruzei os bigodes. Porém, parece-me ser interessante o filme. E a história do tal artista, chamou-me a atenção. Trocar de sexo em 1930? Coisa pra macho!



Filosofia do ovo colorido

Apesar do desejo de passar 1000 anos dormindo e, quiçá, não chutaria o fê-dê-pê do príncipe que viesse me acordar, dormir por um longo período não me faz bem. O meio. O meio termo. Merda de meio termo! E essa porquêra é com hífen ou sem hífen? Dormir pouco me fere a alma. E passar um longo tempo com as pestanas cerradas também não me cai bem. Soma-se e divida por dois: é o ideal. Ideal... o que é ideal? Minha visão hoje está meio turva: não capto devidamente as palavras. Elas me parecem a lua: há um campo escuro não visível a todos.
Meu irmão ligou. Que bom! Isso significa que a sua raiva em relação a mim já passou um pouco. Apesar do tempo estar nos separando, ele me faz muita falta. Vontade de cutucá-lo, perto das 12 badaladas noturnas, e propor para que vejamos a fauna. Camisa do pijama, casaco, calça e tênis. Íamos os dois, andando pela rua, com uma garrafinha de cerveja em punho, imaginando como seriam as nossas vidas quando adultos. Posso lhe responder agora com mais exatidão, Davi: nós, adultos, não somos nada daquilo que imaginávamos. Talvez não assistamos, como planejamos entre um gole e outro, os clipes de nossa época, aboletados no sofá, vendo os filhos passarem de um lado para o outro, dizendo "Já vou!", ou "Dá pra me arrumar algum?", ou, para afundarmos ainda mais na nossa triste nostalgia, "Cara, isso é velho, hein?". Talvez seja pretensão humana imaginar que seríamos tão diferentes do restante dos bichos. Aprendemos a voar e o ninho já não existe mais. Hoje, imagino que sejamos lembranças boas e doloridas lá na frente. E tenho esperança de que, tal como vislumbrei durante as nossas caminhadas noturnas, eu esteja errada.
Logo após, empolgada com o contato fraternal, telefonei para minha mãe. Pela primeira vez, precisei pensar em assuntos para não ter que desligar logo o telefone. Queria - e precisava - conversar mais. O ninho... Não há, Maura, não há.
Ligo para casa. Sem muita paciência para espichar prosa com a Ieda - não, hoje não... não quero saber se fulano não leva a louça suja pra pia... se está bagunçada a casa... se o Ian não comeu direito... Hoje, não - procuro pela minha prima que lá está. Talvez me entenda um pouco mais ou me diga algo que eu queira escutar. Sim, neste dia, procurava eu palavras que me fossem apropriadas ao momento. Que fizessem ponte entre alguma coisa encalacrada cá dentro e o exterior. Acabamos nos pontos negativos da vida. E solto algo semelhante a "o que seria do branco se não fosse o preto?". Se na existência, só fatos bons acontecessem, como identificá-los dessa forma, já que não saberíamos que o bom é bom, pois não haveria o ruim para contrapô-lo? Filosofia de buteco. E buteco do mais sem-vergonha. Daqueles com ovos coloridos para tira-gosto.
Inauguro a Filosofia do ovo colorido.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Logística

Copiando de algum lugar o qual não me recordo (acredito eu ter visto num filme qualquer), tentaremos eleger uma palavra por dia. Talvez ela faça alguma conexão explícita com o momento respirado por esta humilde pessoa que vos digita. Ou, é preciso chafudar-se dentro de mim para que a escolha faça sentido. Comecemos: logística. Li pintada num baú de caminhão. Segundo o http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/, tal palavra nada mais é que:
"logística lo.gís.ti.ca sf (gr logistiké) 1 ant Aritmética aplicada. 2 ant Álgebra elementar. 3 ant Lógica simbólica. 4 Mil Ciência militar que trata do alojamento, equipamento e transporte de tropas, produção, distribuição, manutenção e transporte de material e de outras atividades não combatentes relacionadas."
Chafurdar-me-ei.
Por que logística? É. Eu sei por que (preciso dar uma revisada nos porquês juntos, amasiados, separados, acompanhados...). Não é preciso mergulhar a ponto de ver seres abissais dentro de mim para que resgate a resposta, embora não esteja tão superficialmente exposto. Ou está, quando se nota meu aspecto cansado, desanimado, encolhido.
Sim, o dedo no cu não adiantou muito e continuo no cinza.
O foda é que gosto de cinza.
O mais foda ainda é que gosto de me sentir assim, pois força-me a reagir. E o tri-foda é que, desta vez, não estou conseguindo. Sinto-me atada por algo invisível e não identificável, deixando-me deverasmente puta.
Logística.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Dedo no cu

Pelo menos eu acho ser muito chato pessoas 100% alegres, de bom-humor, transpirando felicidade o tempo todo. Assim como também é aquelas que sempre estão tristes, sua vida é uma merda e nada dá certo, o tempo todo. Ontem... não, ontem não. Ontem eu já estava assim. Antes de ontem, Maura era puro entusiasmo. Fodona. Destemida. Sigam-me os maus! Hoje (a partir de ontem), sou um cocô ambulante. Um desânimo. Vontade de chorar. Ou de me chocar contra um carro qualquer. Uma necessidade de impacto e a conseqüente dor para ver se eu reajo. Pois ficar assim continuamente torram-me os ovos!
Já sentiu debater-se dentro do seu próprio corpo? Como se de fato existisse algo fluido - você realmente - que recheasse a carcaça e fosse a energia motriz de todas as funções do organismo. E isso, a uma certa altura, sentindo não caber mais no espaço designado pelos genes para ser sua prisão, começa a exercer pressão nas paredes externas, querendo sair, expandir, estourar. Alcançar todas as possibilidades. Misturar-se ao meio. Deixar de ser. Liberdade.
Preciso que alguém me espete. Pow!
Algumas das muitas vezes observando o mundo que me engole, chego à conclusão de haver outros tantos seres condenados à prisão. O conjunto particular, carne, ossos e fluidos, é nitidamente uma masmorra. Pessoas presas dentro de si próprias, tendo no corpo seu carcereiro particular.
Sim, sim. Ando meio encuzada. E não me venham com TPM. Mesmo que eu dê meu braço a torcer sobre a existência da tão famosa alteração hormonal, não está na época. É... não sei! Ou sei... Medo. Sim, é isso aí: medo. Só preciso encontrar sua causa. E isto está difícil de visualizar. Medo do quê, porra? Motivos há. Peraí, motivo ser igual à causa? Não sei se consigo explicar, mas vejo uma tênue diferença aí. Motivo seria provável causa. O porquê, junto e com acento. Causa seria fato concreto. Não caberia o adjetivo provável aí. Algo munido de base sólida para sê-lo. Causa para o meu medo, no final das contas, não tem. Responsabilidades? Filhos? Contas? Todo mundo tem. Ou parte deles. Não é digno para fincadas de pé no pinico... de noites mal-dormidas... de taquicardia...
Receio de me lançar naquilo que desejo. De dar uma guinada e ir contra tudo e todos e seus caminhos planejados para mim. Ir de impacto contra aquilo que é esperado de mim. Medo de fazer algo propício a discursos baseados em manuais adultos. Baseados em regras do "como deve ser".
Então, medo do quê? Já que o que importa é o meu rabo de porca?