Não consegui me apagar. Cuidadosamente, levanto o braço que me prende. Giro meu corpo para o lado oposto ao seu bafo quente. Coloco-me sentada ao seu lado. Percorro todo o quarto com os meus olhos, como se fosse encontrar algo novo. Algo novo. Era isso que eu necessitava ao menos ver. Não consigo enxergar nada. Talvez haja algum porta-retrato. Alguma almofada. Novos. Cada centímetro ao quadrado deste quarto foi fotografado e catalogado. Pode haver alguma novidade, porém meu cérebro, projeta aquilo que meus olhos já captaram diversas vezes até cansarem. Assim é com ele. Vejo-o nu sobre a cama. Acendo um cigarro. Observo-o. Entregue totalmente ao sono. Corpo e alma foram sugados num ato interminável de vai-e-vem. Terei eu o recompensado devidamente por tal esforço? Espero que ele mesmo tenha se recompensado, para que eu não me conscientize da minha culpa. Com um pouco dele escorrendo entre minhas pernas, quis eu deixar-me debaixo da água quente. "- Pra quê pressa? Fica aqui comigo!". Enlaçou-me. Prendeu-me junto ao seu corpo como se eu fosse sua extensão. A vontade de me limpar, de me cobrir, de não ficar nua, principalmente, frente a mim. Expor-me a mim mesma, sem a proteção da roupa e da civilidade imposta, trazia-me dor. A pele, os cheiros, os fluidos, o que eu sou realmente? A razão fizera-me estranhar atos que nada mais eram, ao meu ver, supressão de uma necessidade instintiva. Animalesca. Vazia. Tentei não somente com os olhos, com o corpo todo, ver algo de novo. Mas meu cérebro projetou aquilo que meus olhos já captaram diversas vezes até cansarem. Só queria levantar-me daqui. Lavar-me. Vestir-me. Proteger-me na civilização. Minhas roupas.
Nota: isso aí é ficção, ok! Tampouco, eu fumo. Ensaio duma bocó que se aventura a escrever não só sobre a vida dela.
Não da pra ler um blog achando que tudo são fatos reais. Já viu lugar melhor pra escrever do que num blog? Você pode escrever verdade e dizer que é ficção, pode escrever ficção e dizer que é verdade, ou, simplesmente, escrever ficção e verdade e dizer o que são, verdadeiramente.
ResponderExcluirOu ainda, escrever e não dizer nada \o/
E a dúvida pode pairar nas mentes certas, hohoho.
O texto é legal. E percebi que vc gosta de mencionar banhos no que escreve. Já vi algo sobre água escorrendo do chuveiro em um dos seus "quem sou eu", do orkut.
Eu gosto mesmo é de ficar no banho por horas, não apenas escrever, eheheheh. Mas, a água está acabando, preciso salvar o planeta :)
hehehe :P