Uma volta. Duas voltas. Pergunto-me se não foi de propósito ter estragado a fechadura tetra, quando insisti para que a chave desse seus giros completos livremente, sob a penumbra, numa dessas noites quando daria o meu reino por uma capa da invisibilidade. Na verdade, não tão somente após as dez badaladas noturnas, bancaria a rainha displicente com o seu povo. Gostaria de ficar invisível durante o dia também. Agora, apenas a fechadura comum apartando-nos do resto do mundo, facilita-me o trabalho feito em carne e ossos evidentes. Sumir, não. Invisível. Ter ainda a presença dentre eles e muitos. Escutar. Embora eu saiba muito bem o que falam. Fala. Ele vai falar o que já sei. Não posso fazer nada. Não quero, na verdade. Antes de desligar o celular, mandei-lhe uma mensagem: estou bem, ponto. Não se preocupe, ponto. Sem bê-jota-esses ou coisa que o valha. Fiz não por amor ou carinho. O send foi apenas uma tentativa de evitar esta cena que se põe, agora, à minha frente. Evitar. Meus olhos daquele que não mais se arrepende dos seus pecados encontram a figura do inquisidor. Burrice, a minha. O que lhe incentivou a perder horas de sono não foi preocupação comigo. Não mais. Ofereci-lhe uma oportunidade de levantar a si próprio, como ser benevolente, justo, honesto, bom pai de família e marido. Ajudei-lhe nisso, reconheça. Sem vilão, não há mocinho. Você é o bom moço. Agradeça-me.
Nada digo. Nada respondo ao suspiro. Tranco a porta. Jogo a bolsa no lugar de costume (de costume). Tiro meus sapatos. Já acho desnecessário ir ao segundo quarto à direita, entrando por aquele corredor. Olhar as crianças dormindo e buscar dentro de mim aquele sentimento pesado capaz de provocar mudanças significativas na vida de tantos, não adianta mais. Se ao menos, sentisse-me culpada por alguma coisa, talvez valeria o martírio. A culpa poderia fazer-me cegar e continuar minha vida de ruminante. Não sinto que estou errada. Desculpem-me, eu, não a mãe de vocês, não está errada.
Outro suspiro. E após este, a fala. Não sei para onde olho. Ou, onde posso desabar meu corpo, enquanto os ouvidos, não a mente, estão ao seu inteiro dispor. É o mínimo.
A casa. As crianças. A vida que muitas gostariam de ter. Privada. Descarga. No fundo, não lhe importa todos esses adereços. Importa a si, somente. Fale. Um homem como você. Seu ego. Assuma. Isso torna o monólogo mais interessante. Dizer-me sobre as coisas em pleno processo de perda, sendo que, no fundo, nunca as tive verdadeiramente, causam-me tédio. Não me importo. Não mais. Difícil de ver?
Sim. Difícil. Talvez eu sempre estive sob o manto.
Um pau maior? Não procurei comparar o seu a algum outro. Sossegue. Não foi essa a causa. Tenho capacidade de me descobrir sozinha, sabia? Talvez não possa crer na minha figura de agora, tão diferente daquela que passava tardes em casa de parentes, forçando-se a rir gentilmente, ou passava horas cheirando cola e verniz, com as mãos ocupadas nas malditas caixinhas, possa lhe fazer sentir mal consigo próprio. As caixas... traidoras! Prometiam-me refúgio e mal me cabiam. Ainda falando sobre você disfarçadamente?
Suspiro eu, colocando os lábios, finalmente, em movimento.
Meus sapatos. Minha bolsa. A chave? Porta aberta. Ela, fechadura. Pouco vejo na penumbra do meu mundo novo, a não ser a sombra de um homem tão perdido quanto eu era. Você se encontra. Procure uma esposa sacramentada.
As crianças? Cuide-as.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Mantendo o título: Uma rapidinha para fechar o dia!
Muito tempo não passo aqui. Vida estancada? Mente paralisada? Saio pela tangente a responder tais questões. Saudade de mim aqui. Acabei esbarrando num rascunho. Texto iniciado em meados de setembro. Ano, 2008. Como sou contra desperdícios, hora de pari-lo. Aliás, maiêutica. Volto.
No orkut deve ter... Ou no google... Uma receitinha pros cabelos crescerem rápido! Desejo tipicamente feminino. Já enjoei da my face.
Well, well e wells. Já profetizei acá que viver é um eterno-até-que-dure reavaliar seus conceitos. Mais uma vez, assino embaixo.
De início, uma idéia contrária a minha me inibe. Não uma inibição de raiva contida. Não, não. É uma inibição de automatutação... introspecção... algo como "pô, cê tem razão!". Isso também vale pras críticas a minha pessoa. Por isso, repetindo-me, fico nua aqui. Críticas boas ou não e, dentro deste não, bem-feitas ou não, acrescentam-me. Força-me a me rever. Paro, de parir, uma Maura nova.
Hoje conversando com uma sobre outra uma pessoa(s) próxima(s), voltei atrás sobre o tempo necessário para que duas pessoas fiquem juntas. Sob o mesmo teto. Hummmmm... sim, sim. Você tem razão, señor! O tempo é relativo, já dizia Eistein. E por que regras? Aliás, regras pra tudo? Ter tanto tempo na bagagem não significa sucesso. Talvez a fórmula seja o contrário. No pa-pim-pum. Conhecer a pessoa no dia-a-dia... ser algo fantástico... Ehhhh, pode ser sim! Mudei.
Sou uma metamorfose ambulante também, Raul. Ainda bem! Graças a Thor!
Hoje, reli-me. Gosto de fazer isso... Mais uma vez, mudei. Já não sei se somente amor de mãe-filho é possível. Talvez entre dois seres que não sejam bonecas matrioshkas, seja possível sim. Se minha reavaliação é resultado de experiência atual e corrente? Bom, o que sinto nessa experiência particular poderia se transformar nesse sentimento maior, amor. E além da tal possibilidade, confesso haver também uma íntima e pura vontade para que isso ocorra. Não porque há a necessidade de... mas a pessoa me faz querer que.
Se acontecerá ou não, realmente não sei, já que não depende unicamente de mim. Porém, uma coisa eu sei: outra Maura. Se não vir à tona, não duvidarei de sua existência nos meus textos futuros. É algo possível sim.
"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ... "
No orkut deve ter... Ou no google... Uma receitinha pros cabelos crescerem rápido! Desejo tipicamente feminino. Já enjoei da my face.
Well, well e wells. Já profetizei acá que viver é um eterno-até-que-dure reavaliar seus conceitos. Mais uma vez, assino embaixo.
De início, uma idéia contrária a minha me inibe. Não uma inibição de raiva contida. Não, não. É uma inibição de automatutação... introspecção... algo como "pô, cê tem razão!". Isso também vale pras críticas a minha pessoa. Por isso, repetindo-me, fico nua aqui. Críticas boas ou não e, dentro deste não, bem-feitas ou não, acrescentam-me. Força-me a me rever. Paro, de parir, uma Maura nova.
Hoje conversando com uma sobre outra uma pessoa(s) próxima(s), voltei atrás sobre o tempo necessário para que duas pessoas fiquem juntas. Sob o mesmo teto. Hummmmm... sim, sim. Você tem razão, señor! O tempo é relativo, já dizia Eistein. E por que regras? Aliás, regras pra tudo? Ter tanto tempo na bagagem não significa sucesso. Talvez a fórmula seja o contrário. No pa-pim-pum. Conhecer a pessoa no dia-a-dia... ser algo fantástico... Ehhhh, pode ser sim! Mudei.
Sou uma metamorfose ambulante também, Raul. Ainda bem! Graças a Thor!
Hoje, reli-me. Gosto de fazer isso... Mais uma vez, mudei. Já não sei se somente amor de mãe-filho é possível. Talvez entre dois seres que não sejam bonecas matrioshkas, seja possível sim. Se minha reavaliação é resultado de experiência atual e corrente? Bom, o que sinto nessa experiência particular poderia se transformar nesse sentimento maior, amor. E além da tal possibilidade, confesso haver também uma íntima e pura vontade para que isso ocorra. Não porque há a necessidade de... mas a pessoa me faz querer que.
Se acontecerá ou não, realmente não sei, já que não depende unicamente de mim. Porém, uma coisa eu sei: outra Maura. Se não vir à tona, não duvidarei de sua existência nos meus textos futuros. É algo possível sim.
"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ... "
