segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Porra, mas por quê?

Ok, já saquei que a vida é um eterno-enquanto-dure rever de conceitos. Até hoje, meu braço anda dolorido por conta da TPM (tive que dá-lo à torção... não acreditava nela... contudo, como las brujas, ela existe, existe). Agora...

Peguei o catálogo do plano de saúde. Corri meu dedo indicador sobre os nomes e endereços. Sem indicação alguma, fui guiada pelo nome e pelo endereço. Tendo o primeiro em mente, extraí aqueles mais, digamos, pomposos. Aqui peço perdão aos Silvas (reneguei meu próprio sobrenome), aos Santos, aos Pereiras. Resquício colonial. Os filhos com nomes imponentes tinham oportunidade de estudarem no exterior. Serem dotô. Dar continuidade ao valor impregnado em sua graça. Oh, não me julguem aí. Sou Silva Santos e provo ser tal motivação à escolha uma tremenda balela. Cá entre nós, sou foda! Peneirei os escolhidos pela proximidade ao meu trabalho. O trânsito está me matando. Além de estar minha barra mais suja que poleiro de galinha. Andei "faiando" no serviço. Não sei lidar com o tédio e qualquer brecha vizualizada para uma possível saída pela esquerda não me escapa às garras. Assim, algo pertinho da torre não significaria atrasos para bater o ponto.

Jogando as coordenadas num plano cartesiano, pimba! Seria naquele, então. Liguei. Marquei. Peguei autorização com o plano de saúde. Dirigi-me, com frio no estômago, ao consultório.

Sempre relutei contra esse lance de consulta com psicólogo. Assim como era minha relutância em relação à filosofia (eu teria minhas próprias idéias, sem influência externa alguma... toda influência é maléfica... tira a essência alheia), não queria alguém fora de mim dando pitacos sobre quem eu sou. Oras, eu sou a dona da máquina e como tal, é obrigação minha saber como operá-la. Ledo engano, Dona Maura.

Comecei a sentir necessidade de contatar alguém com mais knowhow sobre almas humanas. São muitas Mauras aqui dentro, dando pitacos em um mesmo tom, porém com palavras diversas. Minha voz enfraquecida não conseguia colocar ordem na bagunça. Precisei buscar alguém para me dar dicas a tal árdua tarefa e assim, escolher qual delas ouvir, tocando o bonde. Um dos meus problemas: ficar perdida dentre várias opções.

Fui. Sentei-me. E respondi à fatídica pergunta: "o que está acontecendo com você, Maura?".

Por Odin, não sabia eu que tanta coisa está acontecendo! Precisou de alguém me mostrar isso? Como assim? Eu tô bem no meio do turbilhão e não enxergava? Maura, Maura... enfie isso na sua cabeça, ó jumenta: ninguém é auto-suficiente. Mesmo em momentos sós e calientes, você precisa duma imagem alheia. Povo, eu preciso de vocês! Aprocheguem-se... peguem-me no colo... lambam meu pau (descobri ter um lado masculino maior que o feminino... mas, ói, eu gosto, atrativamente falando, de homem, frise-se)... adorem-me...

Notei um certo espanto quando respondi quem eram meus ídolos. Um deles, Van Gogh. "Você é louca?", fui indagada. "Um pouco!", retruquei.

Um pouco...

Um comentário:

  1. E voltaste ao psicólogo?

    A análise se baseia, tenho a impressão, em ceder um espaço desse dia-a-dia de "mesmos", para se olhar no espelho.

    Depois de se analisar na superfície lisa que leva a outra dimensão, rugas, banhas, celulites vêm a tona. Daí a análise vira uma sessão de pedicure: o desenccravar doloroso de unhas no meio da carne frágil que virou cutícula dura.

    Dói, vc se arregaça e se contorce. Quase um parto, quase sexual. Pensa em assumir posição fetal no divã e tufar o dedão na boca, como só o faz sozinha, no meio da madrugada insone.

    Mas, dentro de algumas semanas, com os pés cicatrizados, nota que anda pisando melhor, com mais certeza...

    Malditos sejam os psicanalistas! Eu os amo!

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