domingo, 27 de setembro de 2009

C'est moi

Mentira. Tenho um animal de estimação sim. A minha loucura. Cansei de escondê-la dos olhos críticos e ignorantes. Estes, mando-a arrancar nacos. Quem sabe, sentindo dor, não encontrem neles, os que julgam, animal semelhante? Morde! Morde! Morde!

Não se engane: mantê-la custa. Sim, há de mantê-la. Custa seu convívio com os demais. Custa a sua imagem perante muitos (para lhe ser sincera, item para o qual cago e ando). Custa seu raciocínio para interpretá-la e não cair na dela. Bichinho manhoso como é, a loucura quer sua inteira atenção. Você entra dentro de si mesmo, senta num confortável puff, acomoda-a sobre o seu colo, faz cosquinhas... deixa-se ser lambido... trava um diálogo débil com algo que não lhe trará resposta alguma... "Ô, loucurinha de mamãe! Vem cá, vem! Upa! Upa!"... Mas, garanto, esse momento relaxa e afirma a sua posição de dono da loucura(e, creia-me, isso é muito importante: você é quem manda!). Enquanto isso, lá fora, um aviso aos demais: "Não perturbe!".

E como quaisquer animalzinhos, além da atenção, é necessário alimentá-la. Livros, arte, música... qualquer coisa que aguce os 5 e mais órgãos do sentido, ela se dá por satisfeita. Quanto mais alimentada, mais fome sente. É prazeroso esse processo de satisfazê-la: a minha loucura, por exemplo, sempre me exige mais e mais. Sou obrigada a buscar rações das mais variadas fontes para vê-la crescer forte e feliz.

Finalizo com uma dica a quem quiser assumir a sua (pois todos já a têm): não invente de domesticá-la. Tampouco adestrá-la. Nem pense amordaçá-la.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Cabeça vazia, oficina do capeta?

Bom, se bem que, olhando bem pertinho, minha mente não está vazia não. Apenas não estou ocupando-a com temas mais, como diria, eruditos. Com crítica, tudo vale a pena. Inclusive sites pornôs e blogs de "artistas".
Olha só: tô enrolona mesmo. Não sei se o sol quente me afetou sobremaneira. Ou isso é apenas uma desculpa-disfarce a minha mole preguiça. Confesso: é esta última. Fato jogado ao ventilador, meu organismo não reage muito bem ao dia-a-dia. O mesmo caminho... o mesmo lugar... as mesmas pessoas... mesmo... mesma... mesmo... Talvez, por isso, eu pegue, duma lapada só, 3 a 4 livros para ler. Cada dia, um pouquinho de um. E assim, vou caminhando contra o vento. Até os mesmos sites. Por que cargas d'água sempre xereto o orkut? Não agüento participar daqueles joguinhos feitos em comunidades. "Com quem o fulano de cima se parece?". Sinceramente, um cão chupando manga. Uai, se uma pessoa propõe um "joga na fogueira" é porque tá a fim de se desnudar perante muitos. "O rei está nu! O rei está nu!". Se eu me expusesse dessa forma, estaria pronta para o que desse e viesse. Confabulando com os meus miolos, não deixo de estar nua aqui. Sou um cu fazendo bico? Realço minhas outras qualidades. Meto medo na machaiada? Não tenho apetrechos penianos para serem usados em determinadas horas; tampouco faço fio-terra... a não ser que me peça também. O que me possibilita pedir cousas também. Escrevo só imbecilidades? Pare de ser um chato-pseudo-cult e adquira um Manual do Batman. Há inteligência na besteira. Enfim...
Ahhh, Leandra. De nada adiantou o véu. Seu nome tatuado no peritoba (para quem não sabe, é aquela região no final das costas, quase chegando à bunda... acho horrível tatuagens ali... só faria uma, somente: a de uma tomada!) e as estrelas denunciaram quem você era. Mas, assuma para o mundo que gosta de uma sacanagem. E eu a respeitarei se as fotos tiradas, você também as quis. Fazer só para satisfazer o macho não vale. Mulher tem tara também, oras! Também respeito outras tantas lá no sitezinho de entretenimento vespertino (mulher vê pornografia também, oras!). Amarro-me em fotos caseiras. Não com aquele intuito com que muitas pessoas acessam sítios do tipo. Aflora-me o instinto quando lembro de alguma experiência ou algo que eu queira fazer. Ou seja, eu sou personagem das minhas fantasias e não pego outras imagens para ficar "pode vir quente que estou fervendo". Bão, às fotos caseiras...
Fico a observar o cenário... os corpos... Noutro dia, suruba rolando. Mulher de quatro num colchão sobre o chão. E um inocente berço ao lado. Com certeza, fizeram uso da avó. E eu recomendo o tal site às outras fêmeas que, porventura, apresentem problemas ao trepar. Não estão satisfeitas consigo mesma... "Oh, eu tenho barriga!"; "Minha bunda é caída!"; "Sou uma laranja de celulites". Mulé é altamente broxável se fica a matutar sobre isso. Assim, larguem os manuais, revistas Novas, Claudias e por aí vai. Vejam sandrinha.com.br... XX's normais. Gente como a gente. Humanas suscetíveis a g = P / m (leizinha básica: gravidade é igual ao peso sobre a massa... Hummmm, será por conta disso, pessoas mais magras podem demorar a envelhecer, fisicamente falando? Assim, somos corpos... corpos, peso... peso, massa... se há menos peso, haverá menos gravidade... Alguém aí vai negar que sofremos com o efeito dela?).
Ah, sobre os blogs de "artistas"... Después, escrevinho. Tenho que garantir o leitinho das crianças. E o meu também!
Tô acá a pensar: mesmo que pusesse foto minha aqui, peladaça, não estaria tão nua quanto tenho andado por aí. Principalmente, fincando o pé no pinico.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Secções

Por que cargas d'água o indivíduo apertou o 13º sendo que desceria no mesmo andar que eu, no 6º? Poder-se-ia responder por engano. Não foi. Assim que o elevador parou no andar desejado, ele apertou o último andar. Será por isso que esses raios de elevadores sempre demoram pra chegar? Hora de bater o ponto da libertação, doida para cascar fora, perco 3 minutos esperando a joça para descer. Ao menos, agora, tenho alguém para culpar e xingar "filho-da-puta". Muito ruim sentir raiva irracional sem ter uma imagem para direcionar os xingamentos. Agora, eu a tenho. Menor que eu; vestindo um uniforme azul; homem... Obrigada, sua mula!
Criei o costume (isso me apavora, o costume) de toda tarde descer, ao menos duas vezes, da torre. Sento-me cá embaixo. Perco-me durante uns 10 minutinhos. Subo um pouco mais aliviada. Faltou-me um café. No quiosque, logo próximo à entrada/saída, vende um espresso. Vez ou outra, enterro 1,50 e me revolto diante a tamanha blasfêmia com o pó preto. Resolvi, forçosamente, economizar. Hoje, mudei de lugar. Aliada ao sol de rachar mamona, minha agonia ao perceber estar fazendo as mesmas coisas, todos os dias, metodicamente, fez com que eu mudasse de lugar. Ele deve ter notado a diferença, porque sempre sigo mais ou menos um determinado horário (preciso mudar isso também) . Confortavelmente instalada ao ar livre, ergo tão somente os olhos, sem mexer um músculo sequer do pescoço, e o vejo lá, sentado frente à janela, a espreitar-me. Ao menos, passa-me tal impressão. O corpo inclinado, sobre uma cadeira de escritório, fica a me observar. Acho isso engraçado e intrigante ao mesmo tempo. Entretanto, causa-me um certo desconforto, admito. A pessoa totalmente desconhecida por mim, sabe sobre minha figura. Uma pontinha apenas. Segundo andar, constato ao fazer as contas. Torre B. Não estou em desvantagem, também sei uma pontinha ínfima sobre ele. Uma companhia involuntária e não requisitada nos meus momentos de refúgio. Interferindo no meu mundico.
Tanto um caso quanto o outro aguçam minha massa cinzenta. O segundo, vou chamá-lo de mula não.
Mula e não-mula. Como diria o tempo, nada melhor que um dia após o outro. Já o xinguei por diversas vezes. Não peguei sua imagem aleatoriamente para descontar uma raiva qualquer. Desde o início, já sabia quem era o alvo para aliviar a pressão criada aqui dentro do peito. Filho-da-puta. Cretino. Volúvel. Instável. Besta. Ufa! Culpa não minha, mas da anta. Toquemos o barco. E a nave foi indo, seguindo seu curso, ora atravessando águas calmas; ora, turbulentas. Problemas com a tripulação, outro comandante posto no lugar. Contudo, o remo ainda guardava impressões do antigo e o barco, como se tivesse gravado no seu maquinário a rota outrora seguida, quis seguir o mesmo caminho. Compreendi a carta de navegação. Não, não era filho-da-puta. Nem cretino. Nem volúvel. Nem instável. Tampouco besta. Era (ou é) como eu fui (ou sou). Não posso mais xingá-lo sem me colocar no mesmo saco.
Ou ser colocada no mesmo saco por outro que, provavelmente, estará atribuindo a mim tais adjetivos raivosos. E, não sei se ajuda a aliviar juntamente com as alcunhas negativas, posso concordar contigo. Também me acho filha-da-puta, cretina, volúvel, instável e besta. Sobretudo, besta.
Fiquei a observar e apertei o andar onde não desejava descer.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Porra, mas por quê?

Ok, já saquei que a vida é um eterno-enquanto-dure rever de conceitos. Até hoje, meu braço anda dolorido por conta da TPM (tive que dá-lo à torção... não acreditava nela... contudo, como las brujas, ela existe, existe). Agora...

Peguei o catálogo do plano de saúde. Corri meu dedo indicador sobre os nomes e endereços. Sem indicação alguma, fui guiada pelo nome e pelo endereço. Tendo o primeiro em mente, extraí aqueles mais, digamos, pomposos. Aqui peço perdão aos Silvas (reneguei meu próprio sobrenome), aos Santos, aos Pereiras. Resquício colonial. Os filhos com nomes imponentes tinham oportunidade de estudarem no exterior. Serem dotô. Dar continuidade ao valor impregnado em sua graça. Oh, não me julguem aí. Sou Silva Santos e provo ser tal motivação à escolha uma tremenda balela. Cá entre nós, sou foda! Peneirei os escolhidos pela proximidade ao meu trabalho. O trânsito está me matando. Além de estar minha barra mais suja que poleiro de galinha. Andei "faiando" no serviço. Não sei lidar com o tédio e qualquer brecha vizualizada para uma possível saída pela esquerda não me escapa às garras. Assim, algo pertinho da torre não significaria atrasos para bater o ponto.

Jogando as coordenadas num plano cartesiano, pimba! Seria naquele, então. Liguei. Marquei. Peguei autorização com o plano de saúde. Dirigi-me, com frio no estômago, ao consultório.

Sempre relutei contra esse lance de consulta com psicólogo. Assim como era minha relutância em relação à filosofia (eu teria minhas próprias idéias, sem influência externa alguma... toda influência é maléfica... tira a essência alheia), não queria alguém fora de mim dando pitacos sobre quem eu sou. Oras, eu sou a dona da máquina e como tal, é obrigação minha saber como operá-la. Ledo engano, Dona Maura.

Comecei a sentir necessidade de contatar alguém com mais knowhow sobre almas humanas. São muitas Mauras aqui dentro, dando pitacos em um mesmo tom, porém com palavras diversas. Minha voz enfraquecida não conseguia colocar ordem na bagunça. Precisei buscar alguém para me dar dicas a tal árdua tarefa e assim, escolher qual delas ouvir, tocando o bonde. Um dos meus problemas: ficar perdida dentre várias opções.

Fui. Sentei-me. E respondi à fatídica pergunta: "o que está acontecendo com você, Maura?".

Por Odin, não sabia eu que tanta coisa está acontecendo! Precisou de alguém me mostrar isso? Como assim? Eu tô bem no meio do turbilhão e não enxergava? Maura, Maura... enfie isso na sua cabeça, ó jumenta: ninguém é auto-suficiente. Mesmo em momentos sós e calientes, você precisa duma imagem alheia. Povo, eu preciso de vocês! Aprocheguem-se... peguem-me no colo... lambam meu pau (descobri ter um lado masculino maior que o feminino... mas, ói, eu gosto, atrativamente falando, de homem, frise-se)... adorem-me...

Notei um certo espanto quando respondi quem eram meus ídolos. Um deles, Van Gogh. "Você é louca?", fui indagada. "Um pouco!", retruquei.

Um pouco...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Excreções

"Quer saber como viver mais tranquilo e aproveitar mais a vida?". Sim, eu quero. Como, cara pálida? Não acredito que, fazendo o tal seguro oferecido pela instituição bancária, eu vá ficar mais tranquila e, assim, aproveitar mais a vida. Sim, porque adquirindo tal produto, menos dinheiro em caixa; menos dinheiro em caixa, menos disponibilidade para aproveitar mais a vida. É uma lógica. Não muito aplicada a minha pessoa. Admito - e me atirem a primeira pedra quem não assuma por mais zen e sem que seja - querer mais um tiquim de money-que-é-good-nóis-num-have. Gostaria de viajar para o Chile, livrar-me das dívidas, fazer uma lipo e botar uns peitinhos novos (não nego meu par de cromossomos idênticos). Além de propiciar momentos marcantes aos meus moleques. Não uma viagem à Disney. Isso aí, nem se eu tivesse dinheiro escapando pelo ladrão. Levá-los à Capela Cistina... ver um VanGogh tete-à-tete...
Vamos todos juntos à Ilha de Páscoa!
Bom, se eu não fizer um dia isso tudo, ou parte, ok! Não resignadamente. Apenas não me esquento. Viro a metralhadora para outro lado e sigo adiante.
O que me tira a tranqüilidade, causando ruídos no meu aproveitar a vida, é não saber lidar comigo. Isso não depende de seguros tampouco de grana. É ficar mergulhada em mim mesma, sem conseguir me expressar e querendo achar um sossego à alma. Que anda perturbada por não saber de quem se trata eu. O que quero. Para onde vou. E por que cargas d'água vim parar aqui? Achar, por vezes, que os meus erros me destroem quando, na verdade, eu gosto de praticá-los e ver em qual rio desembocará. As imperfeições me constroem. Preciso ligar o botão do "fodam-se" às vozes que apontam, exigindo algo além das minhas posses, numa atitude cega pois são tão humanos quanto eu. Assim, meus camaradas, ninguém é perfeito e somos distinguidos, justamente, por aquilo que tanto fogem. Esse é o real e não parâmetros descritos e empurrados goela abaixo por livros e idéias infundadas... manuais... Essa sou eu! Opa! Achei-me!
E me deixem aproveitar a vida, porra!
Aliás, não preciso que me deixem. Vou aproveitar a vida! Vão vocês também!
Eu costumo chamá-la de "A fiscal da bosta". A posse no seu novo cargo, tomado para si voluntariamente, foi numa tranqüila tarde quando um dos colegas, para aliviar-se, usou o banheiro como se esperava que fizesse numa situação assim. Sala comercial. Cômodo sem a ventilação devida para que tão logo se dissipasse a prova do feito. E logo veio a voz saída da boca entre risadas, algo mui constrangedor até: "Eita, quem foi? Quem está passando mal? Tá tudo cheirando a merda!". Cheiro de merda, para mim, e não me perguntem por quê, pode ser sinal de bom presságio. Sempre tive disso. Odor captado de forma inesperada me passa tal impressão. Andando na rua, nenhum vestígio visível, e eis o aroma! "Opa! Sorte!" - sinto eu. Nesse caso, não se tratava de bom augúrio. Compadeci-me do respeitável colega (que preferiu manter-se no anonimato) pois, como diria num programa, merda acontece! Por mais tranqüila e relax, como o momento exige da hora; nada melhor que apreciá-lo no seu sacrossanto lar. Acompanhado de uma revistinha, folheto, rótulos de embalagens ou até mesmo uma bula.
Dia desses, o meu intestino pregou-me uma peça. Não adiantou a técnica do "caiu-puxei-a-descarga" no intuito de não me denunciar e nem compartilhar com involuntários um prazer que é somente meu: o cheiro do meu cocô. Lá veio ela. Novamente entre risadas. Atribuindo a autoria do fato a um dos homens qualquer. "Deve ter fulano ou beltrano! Hahahaha!". Levantei os olhos por cima da minha baia. Olhei-a. "Não, não foi. Foi eu!".
Além de defeitos, sou feita de bosta... de mijo... de gases...